O Puxa-Saco

Zeca Pagodinho

É um carrapato, uma cola, um chiclete
Esse cara do chefe não quer desgrudar
Se vai embora, diz logo “saúde”
Se por ventura o cara espirrar

Dá sua vida feito um cão-de-guarda
Ele está sempre à disposição
E quem do chefe se aproxima
Ele olha de quina pra averiguação

É malfalado, odiado, invejado
Mas sua conduta não é de falhar
No fim de semana, o chefe o convida
Com sua família pra ir viajar

Se toma um porre, o cara lhe socorre
Depressa vai pra cozinha fazer logo um chá
Já me contaram que ele tem em casa
Uma foto do patrão no altar

Ele já foi promovido, tomou mais juízo
Mudou de religião
Virou a casaca e o time que torce
É o mesmo do patrão

Botou o nome do patrão no filho e deu a filha dele
Orgulhoso para batizar
O cara vira bicho se escuta alguém falando mal do chefe
Ele quer brigar
Não mede sacrifício e diz que é o seu ofício fazer tudo
E mais um pouco que o patrão mandar

Se o chefe chora, ele consola, também chora sem demora
Pega um lenço para enxugar
Se a piada é sem graça, nem disfarça, ele é o primeiro
Puxa o coro para gargalhar
É o queridinho do patrão, é protegido, baba-ovo, pela-saco
É um carrapato que no saco dá

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