Andarilho

Luiz Marenco

Abro a porteira e me aparto do campo verde e estancieiro
Só pra estender meu baixeiro no capão dos corredores
Sou desses que os cantadores batizaram nas guitarras
No peito de um malacara vivo empurrando horizontes

Minha bíblia é um "martin fierro" sempre esbarro numa china
E a imagem que me domina é um parador de rodeio
Já tive um rancho senhores e tardes de primaveras
Onde eu lavava a erva sentindo o cheiro das flores

Sou ponto vivo e consciente na estância real das estradas
Vivo domando as mágoas de um passado inconveniente
Nas horas das rondas claras o pensamento é tordilho
Eu recorro cada estrela recostado no lombilho

Meus olhos horizontais pintam quadro em campo alheio
Cada porteira é um anseio pra um calmo desencilhar
Talvez um dia eu encontre um olhar destes morenos
Sem baldas e nem venenos, e aqui me ponha a cantar

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