Fazenda Santo Antonio

Jorge de Altinho

FAZENDA SANTO ANTONIO

Quando eu era menino vi no céu um pedacinho

A fazenda santo Antonio do meu velho tio Pedrinho

Felicidade infinita era jóia mais bonita do município de altinho
A casa sede era grande de alpende arrodiada
Um quarto pra guarda cela a rede toda trançada
Encostado com a cozinha uma casa de farinha

Pra se fazer farinhada

Quatro horas da manhã para o curral eu corria
Leite do peito da vaca traz saúde e energia
Minha vaca que respeito
Que midio levava o leite pra cidade todo dia
Na mesa tinha de tudo cuscuz com leite e coalhada
Queijo de coalho na brasa carne de sol bem assada
Bolo de milho com coco tinha costela de porco
Macaxeira cozinhada

No terreiro era bonito de se ver a bicharada
Pato, galinha de mel os perus dando rodada.
Bode cabra e leitão tinham um casal de pavão
Com ovelha doida gorda enrolada

Na beira do rio una tinha cortiço de mel
Inhame batata doce laranja mimo do céu
A banana prata e pão os pés de coqueiro anão
Água doce feito mel


No inverno a canjica a pamonha era à-vontade
Tio Pedrinho matava um boi dava carne pra os compadres
No bacamarte um recado São Pedro era festejado
Ai meu Deus quanta saudade

Santo Antonio mudou de dono veio a modernização
Derrubaram a casa sede a cocheira e o galpão
A tristeza me invade quem já foi felicidade
Hoje é só recordação
Tio Pedrinho não vive mais nem tia Alda também
Foram morar com Jesus na fazenda do além
A lembrança hoje é um sonho quando vejo santo Antonio
Sinto que morri também

Êeeeeeeeee Gado Manso!
Êeeeeeeeee Saudades!
Êeeeeeeeee!

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